Plano de Negócio e o Empreendedor
Um plano de negócio é uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão. Um empreendedor, frente à uma oportunidade identificada, precisa tomar a decisão de aproveitar (ou não) aquela oportunidade – decisão esta que nem sempre recebe indicações de que o negócio vai dar certo, ou está logicamente estruturada. O plano de negócios deve conter uma série de raciocínios, baseada em estudos robustos de mercado que apresentem a possibilidade de ganhos – e sob quais condições estes ganhos virão. Este raciocínio é composto por indicadores que apresentam o ganho (ou a mitigação das perdas).
Um plano de negócio é uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão. Um empreendedor, frente à uma oportunidade identificada, precisa tomar a decisão de aproveitar (ou não) aquela oportunidade – decisão esta que nem sempre recebe indicações de que o negócio vai dar certo, ou está logicamente estruturada. O plano de negócios deve conter uma série de raciocínios, baseada em estudos robustos de mercado que apresentem a possibilidade de ganhos – e sob quais condições estes ganhos virão. Este raciocínio é composto por indicadores que apresentam o ganho (ou a mitigação das perdas).
Dentro
da estrutura do plano de negócios, há uma parte dedicada às operações, ou seja,
aos recursos necessários para atender a demanda do produto/serviço que se está
analisando. Os nomes podem variar conforme o autor: dimensionamento de
operações (Cecconello, 2008) ou planejamento operacional (Deutscher, 2012) –
chamaremos aqui de plano operacional.
Este
item é composto de informações relacionadas à estrutura física, tecnologia,
logística, fornecedores, recursos humanos (política de RH, benefícios,
salários) e até o curriculum vitae das pessoas consideradas como chave para o
sucesso do negócio. Lembro sempre aos meus alunos e clientes que realizamos os
objetivos através das pessoas.
Neste
momento muitos dos meus alunos, orientados de TCC que fazem plano de negócio me
perguntam: qual é a necessidade de colocar os CVs dos sócios, administradores e
funcionários do empreendimento no plano de negócio? Isso é básico, Professor??
Na
edição de 26 de abril de 2017 a Revista Exame traz uma matéria muito
interessante sobre o êxodo de funcionários de empresas de tecnologia para
transformarem-se em empresários (A Escola Google, Revista Exame, 26 de abril de
2017 – artigo de Pedro Henrique Tavares – o título é diferente da edição
impressa para a edição online). O artigo chama a atenção que “a vivência profissional em grandes empresas
de tecnologia também pode ser a senha para receber investimentos”. A
matéria ainda aponta uma pesquisa da FGV que mostra que as principais razões
para se recusar a investir em uma startup são: 93% - equipe inexperiente; 51%
baixa demanda para o produto ou pouca capacidade para crescer; 35% falta de
inovação; 12% falha no modelo de negócios; 12% outros fatores.
O
artigo foi feito para empresas de tecnologia, porém o raciocínio pode ser extrapolado
para outras empresas – startups ou não: independentemente de o empreendedor
haver trabalhado anteriormente em grande empresa, a idéia é mostrar que existe
capacidade técnica e comportamental para tocar o novo negócio. No livro do
Deutscher está bem explícito: “relatar as
características profissionais e pessoais dos envolvidos, deixando explícitos os
papéis de cada um e como os mesmos serão úteis na execução do plano de
negócios. Apresente as pessoas chave, que já estejam sendo buscadas no mercado
para fazer parte da equipe, e seus respectivos currículos” (Deutscher,
2012). Ou seja, o empreendedor pode (e deve) cercar-se de profissionais que possam
executar o plano de negócio e leva-lo ao êxito.
Quero
finalizar com uma frase do livro do Cecconello, onde ele nos lembra que a decisão
pelo não (negativa ao plano de negócio ou negativo ao investimento) é tão
importante quanto a decisão pelo sim (aprovação do plano de negócio) – de repente o empreendedor não está tão
pronto e precisa se desenvolver antes de iniciar o empreendimento. Saiu um
livro sensacional da Carol Dweck chamado Mindset, que fala justamente da nossa
mentalidade de aprendizado (ou fixa), mas isso é conversa para outra coluna.
Abraços.
Para
saber mais:
·
CECCONELLO,
Antonio Renato; AJZENAL,Alberto. A construção o plano de negócios. São Paulo:
Saraiva, 2008.
·
MARSHALL
Junior, Isnard; YOSHIKUNI, Adilson Carlos; SALAMACHA, Luciano Miguel; MACHADO,
Luis Eduardo. Plano de Negócios Integrado. Rio de Janeiro : Editora FGV, 2014.
·
DEUTSCHER,
José Arnaldo; BASTOS, Guilherme; SILVA, Helton Haddad; CUNHA, Marco Antonio.
Plano de Negócios. Rio de Janeiro : Editora FGV, 2012.
·
TAVARES,
PEDRO HENRIQUE. A nova onda das empresas fundadas por “ex-googlers”. https://exame.abril.com.br/revista-exame/a-nova-onda-das-empresas-fundadas-por-ex-googlers.
2017
Gianfranco
Muncinelli é engenheiro, consultor, coach,
empresário e professor de MBAs em programas como FGV Management, UFPR e ISAE.
Nas horas vagas toca contrabaixo, ouve rock
and roll e é plastimodelista (monta aquelas réplicas de aviões
pequenininhas, em plástico).
Nota:
A coluna “Isso é básico, Professor???” aborda temas que possam ser lacunas em
conceitos ditos “básicos” ou de deficiência na interpretação de teorias também
consideradas “básicas” – mas que, muitas vezes, impedem o sucesso da aplicação
de conhecimentos mais avançados ou inovadores. Leia mais em
http://basicoprofessor.blogspot.com.br