sábado, 14 de outubro de 2017

Plano de Negócio e o Empreendedor

Plano de Negócio e o Empreendedor

Um plano de negócio é uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão. Um empreendedor, frente à uma oportunidade identificada, precisa tomar a decisão de aproveitar (ou não) aquela oportunidade – decisão esta que nem sempre recebe indicações de que o negócio vai dar certo, ou está logicamente estruturada. O plano de negócios deve conter uma série de raciocínios, baseada em estudos robustos de mercado que apresentem a possibilidade de ganhos – e sob quais condições estes ganhos virão. Este raciocínio é composto por indicadores que apresentam o ganho (ou a mitigação das perdas).

Dentro da estrutura do plano de negócios, há uma parte dedicada às operações, ou seja, aos recursos necessários para atender a demanda do produto/serviço que se está analisando. Os nomes podem variar conforme o autor: dimensionamento de operações (Cecconello, 2008) ou planejamento operacional (Deutscher, 2012) – chamaremos aqui de plano operacional.

Este item é composto de informações relacionadas à estrutura física, tecnologia, logística, fornecedores, recursos humanos (política de RH, benefícios, salários) e até o curriculum vitae das pessoas consideradas como chave para o sucesso do negócio. Lembro sempre aos meus alunos e clientes que realizamos os objetivos através das pessoas.

Neste momento muitos dos meus alunos, orientados de TCC que fazem plano de negócio me perguntam: qual é a necessidade de colocar os CVs dos sócios, administradores e funcionários do empreendimento no plano de negócio? Isso é básico, Professor??

Na edição de 26 de abril de 2017 a Revista Exame traz uma matéria muito interessante sobre o êxodo de funcionários de empresas de tecnologia para transformarem-se em empresários (A Escola Google, Revista Exame, 26 de abril de 2017 – artigo de Pedro Henrique Tavares – o título é diferente da edição impressa para a edição online). O artigo chama a atenção que “a vivência profissional em grandes empresas de tecnologia também pode ser a senha para receber investimentos”. A matéria ainda aponta uma pesquisa da FGV que mostra que as principais razões para se recusar a investir em uma startup são: 93% - equipe inexperiente; 51% baixa demanda para o produto ou pouca capacidade para crescer; 35% falta de inovação; 12% falha no modelo de negócios; 12% outros fatores.

O artigo foi feito para empresas de tecnologia, porém o raciocínio pode ser extrapolado para outras empresas – startups ou não: independentemente de o empreendedor haver trabalhado anteriormente em grande empresa, a idéia é mostrar que existe capacidade técnica e comportamental para tocar o novo negócio. No livro do Deutscher está bem explícito: “relatar as características profissionais e pessoais dos envolvidos, deixando explícitos os papéis de cada um e como os mesmos serão úteis na execução do plano de negócios. Apresente as pessoas chave, que já estejam sendo buscadas no mercado para fazer parte da equipe, e seus respectivos currículos” (Deutscher, 2012). Ou seja, o empreendedor pode (e deve) cercar-se de profissionais que possam executar o plano de negócio e leva-lo ao êxito.

Quero finalizar com uma frase do livro do Cecconello, onde ele nos lembra que a decisão pelo não (negativa ao plano de negócio ou negativo ao investimento) é tão importante quanto a decisão pelo sim (aprovação do plano de negócio) – de repente o empreendedor não está tão pronto e precisa se desenvolver antes de iniciar o empreendimento. Saiu um livro sensacional da Carol Dweck chamado Mindset, que fala justamente da nossa mentalidade de aprendizado (ou fixa), mas isso é conversa para outra coluna. Abraços.

Para saber mais:
·         CECCONELLO, Antonio Renato; AJZENAL,Alberto. A construção o plano de negócios. São Paulo: Saraiva, 2008.
·         MARSHALL Junior, Isnard; YOSHIKUNI, Adilson Carlos; SALAMACHA, Luciano Miguel; MACHADO, Luis Eduardo. Plano de Negócios Integrado. Rio de Janeiro : Editora FGV, 2014.
·         DEUTSCHER, José Arnaldo; BASTOS, Guilherme; SILVA, Helton Haddad; CUNHA, Marco Antonio. Plano de Negócios. Rio de Janeiro : Editora FGV, 2012.
·         TAVARES, PEDRO HENRIQUE. A nova onda das empresas fundadas por “ex-googlers”. https://exame.abril.com.br/revista-exame/a-nova-onda-das-empresas-fundadas-por-ex-googlers. 2017

Gianfranco Muncinelli é engenheiro, consultor, coach, empresário e professor de MBAs em programas como FGV Management, UFPR e ISAE. Nas horas vagas toca contrabaixo, ouve rock and roll e é plastimodelista (monta aquelas réplicas de aviões pequenininhas, em plástico).


Nota: A coluna “Isso é básico, Professor???” aborda temas que possam ser lacunas em conceitos ditos “básicos” ou de deficiência na interpretação de teorias também consideradas “básicas” – mas que, muitas vezes, impedem o sucesso da aplicação de conhecimentos mais avançados ou inovadores. Leia mais em http://basicoprofessor.blogspot.com.br

domingo, 24 de setembro de 2017

Motivação do Blog!!!

A idéia deste blog veio da minha vivência com meus amigos, clientes e alunos - derivada diretamente das discussões sobre gestão de empresas, sobre gestão de projetos, empreendedorismo e sobre os seres humanos.
Encontramos hoje uma série de “novidades” (seja em métodos, ferramentas ou teorias), que vêm de encontro à incessante busca pelo melhor desempenho e melhores resultados. A inovação é palavra chave e certamente é fator diferencial na perenidade e na sustentabilidade da gestão das companhias. Claro, esta busca deve ser valorizada e incentivada, pois certamente é um dos fatores que nos move dia após dia, buscando a excelência nas pessoas e nas organizações.
A preocupação que aparece (e que motiva o blog) é que, em muitas vezes, as pessoas ou as companhias não avançam de forma consistente na direção das coisas novas, em função da existência de lacunas em conceitos ditos “básicos” - ou de deficiência na interpretação de teorias também consideradas “básicas”. É como se um telhado de altíssima tecnologia fosse sustentado por uma estrutura frágil e com falhas – impedindo o sucesso da aplicação destes conhecimentos inovadores.
Seja pelas exigências das pessoas, do contexto ou das empresas, muitas vezes nota-se que algumas perguntas que deveriam ser feitas, simplesmente ficam guardadas. A parte triste é que a resposta – básica – poderia auxiliar em muito na solução de um problema. Afinal, estamos aqui para solucionar problemas!!!

Pois bem, abordaremos assuntos “básicos". Vamos lá!!!!


Gianfranco Muncinelli é engenheiro, consultor, coach, empresário e professor de MBAs em programas como FGV Management, UFPR e ISAE. Nas horas vagas toca contrabaixo, ouve rock and roll e é plastimodelista (monta aquelas réplicas de aviões pequenininhas, em plástico).

Plano de Negócio e o Empreendedor

Plano de Negócio e o Empreendedor Um plano de negócio é uma ferramenta que auxilia na tomada de decisão. Um empreendedor, frente à uma op...